Um ato de amor

Quando Jesus nos explicou a destinação de seu corpo entregue de seu sangue derramado por todos disse que é para a remissão dos pecados. Podemos ter uma visão espiritualista como se a única finalidade da redenção fosse limpar a desgraça do pecado.

O pecado não é algo somente pessoal, mas é uma estrutura que se instaurou no mundo a partir da tendência ao mal que chamamos pecado original. Mais que tirar de uma situação de aversão a Deus, o ato redentor de Jesus, sua vida entregue a partir de sua encarnação são a concretização da vida nova que nos é dada. Esta consiste na comunhão com Deus e na participação de sua vida. Há muitos modos de compreender a redenção. É bom, pois um conceito não esgota sua riqueza.

Não pode ficar fora desta riqueza de interpretação a raiz de todas elas: Deus nos redimiu por amor. João nos escreve: “Deus amou de tal modo o mundo que entregou seu Filho único, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Redenção é um ato de amor de Deus e uma doação de vida. Crer é acolher amor. Por que não acolher o amor que se manifestou com tanta generosidade a ponto de ser uma entrega total de Deus em seu Filho? Como é redenção da pessoa humana e do mundo, suas dimensões são infinitas e penetra todo o ser humano e tudo que a ele se refere.

A redenção atinge as fontes do mal que já conhecemos nas três tentações de Jesus que concretizam o mal. Pela redenção Jesus corta essa raiz e deixa a cada um fazer sua parte com sua graça. Acolher a redenção é opção, pois Deus oferece e não força. Somente com a graça da redenção podemos ter forças para deixar o mal. A mudança da estrutura de mal do mundo e das pessoas só acontecerá com a opção por Jesus Cristo e seu Reino.

Mais que dizer, ser

O anúncio que Jesus faz de seu Reino, mais que uma proposta de doutrinas foi um modo de vida. Se quisermos saber como é o Reino, não devemos nos fixar somente nas palavras de Jesus contidas nos Evangelhos, mas buscar em sua vida a Palavra viva.

Por isso Se identifica com o Reino que se implanta como ação do Espírito Santo. Dele não podemos controlar a ação, pois é como o vento que sopra e não vemos de onde vem nem para onde vai (Jo 3,8). A ação redentora de Cristo extrapola nossas estruturas pois não a podem conter totalmente.

Não somos donos da redenção. Deus quer contar conosco, mas não podemos ser seus donos. O que se espera de quem anuncia é que tenha a vida coerente. Estar redimido pela graça não nos faz seus donos nem seus juízes. Deus é o Senhor.

Quando vemos pessoas a se arvorarem em juízes dos outros, podemos ter certeza que essa consciência não vem da fé. Não misturar filosofias e costumes tradicionais ou novos conceitos com Evangelho anunciado. O que as pessoas vêem melhor é a vida de acordo com a palavra anunciada. Vivendo bem, somos o melhor anúncio.

Anunciar pelo afeto

Os pagãos diziam dos cristãos: “Vede como se amam”. Esse amor não é somente um ambiente restrito e um clube para escolhidos, “meus irmãos”, mas casa aberta a todos.

A redenção está aberta a todos e para ser vivida de modos diferentes. Temos muito a ensinar e muito a aprender. Jesus propõe aos que acolheram a salvação que vivam como Ele viveu, no amor. Esta é a única palavra que convence. O amor de anúncio vai privilegiar os necessitados.

Um mundo de riquezas é um mundo de pobres. É a eles que se dirige em primeiro lugar a redenção. Os que possuem bens deste mundo só serão redimidos se se colocarem a serviço multiplicando seus bens para o bem da graça redentora.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

Fonte: www.A12.com

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No mais remoto uso popular, a palavra bem-aventurança já se referia ao bem-estar material vivido por alguém na somatória de fatores benéficos: a saúde, a riqueza, o prestígio social, a fama.

A Bíblia enfatiza as situações felizes de uma pessoa que ama a Deus, faz o bem, busca a justiça. A Aliança Mosaica, guardada e vivida individual e comunitariamente, prometia ser a fonte de bem-aventuranças interiores e exteriores. Era só obedecer a Deus, observar a sua Lei e andar em seus caminhos. No Novo Testamento, feliz ou bem-aventurado será o discípulo fiel de Jesus.

Ao deixar-se modelar pelos critérios e valores chamados “bem-aventuranças” (Mt 5, 1-12), o discípulo (a) enraíza-se no amor a Deus e vai construindo, no seu íntimo e nas relações sociais, o seu Reino até chegar à beatitude eterna. Supõe, portanto, um seguimento absoluto de Jesus.

Ele não só definiu, proclamou e denominou as atitudes fundamentais, as “bem-aventuranças”, como a essência do Evangelho. Ofereceu nelas o único programa de vida válido para se ajustar a vida ao Reino ou à soberania de Deus. E anunciou-se como modelo de sua vivência integral coroada com o novo mandamento:”amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Enfim, as bem-aventuranças constituem “carta magna” do reino messiânico trazido por Jesus.

Maria viveu integralmente a espiritualidade da Antiga Aliança, mas na “plenitude dos tempos” (Gl 4,4) ela foi apassagem para a Nova Aliança, por sua condição de “serva do Senhor” e mãe do Verbo. Deixou Deus agir totalmente em seu viver.

A Tradição cristã interpreta o consentimento de Maria como dado em nome da humanidade que busca ser feliz nos “novos céus e nova terra” (Is 65,17); redimida e vocacionada para ser a Jerusalém do alto: sem morte, luto e dores (Ap 21). Por isso, no Evangelho de Lucas, a Virgem Maria é louvada, bendita e anunciada como a primeira bem-aventurada do tempo do Messias. Isabel, quando a recebeu de braços abertos, extravasou a alegria que o Espírito Santo lhe inspirava: “Mulher bendita entre todas és tu, ó Maria; e bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou que se cumpriria o que lhe foi dito da parte do Senhor” (Lc 1,42-45). É o hino do Magnificat, com o qual Lucas retrata o agradecimento humilde de Maria, na certeza de possuir Deus no mais íntimo do ser, já é um prelúdio daquelas atitudes propostas por Jesus como caminhos de bem-aventuranças no Sermão da Montanha.

Um dia, quando Jesus falava ao povo, outra mulher – essa, anônima -, emocionada como Isabel, proferiu elogios à mãe dele em alta voz: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!” (Lc 11,27)

Pela simplicidade do seu viver na terra a missão do Filho, Nossa Senhora será para todo o sempre a mulher de fé, nossa inspiradora na peregrinação e nosso auxílio na perseverança até a posse da bem-aventurança eterna.

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, CSsR

Diretor da Academia Marial de Aparecida

Fonte: www.A12.com

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