Vivemos com a Igreja três domingos correspondentes a temas muito caros à vida cristã, em vista da celebração dos Sacramentos de Iniciação, prevista para a Vigília Pascal. As pessoas que serão batizadas na Páscoa estarão diante de Jesus Cristo, aquele que oferece a Água Viva, Jesus, Luz do Mundo, o mesmo que se revela Ressurreição e Vida, quando se dirige a Betânia, casa de seus queridos amigos Lázaro, Maria e Marta (Jo 11, 1-45). Betânia foi um lugar de experiências muito felizes e profundas de Jesus com seus discípulos. Tudo indica que era uma casa em que se sentiam à vontade, espaço de intimidade e liberdade. Podemos imaginar a visita feita por Jesus, quando a Marta pressurosa até reclama por sua irmã de dedicar tanto à escuta do Mestre, ou os diálogos em torno de uma mesa de almoço.

Jesus fizera voltar à vida a filha de Jairo e o filho único da viúva de Naim. Mas agora, trata-se de um amigo pessoal, com quem certamente terá partilhado confidências. É neste clima de intimidade, no qual se envolviam as duas irmãs de Lázaro, que acontece a revelação de Jesus como Ressurreição e Vida. Jesus mostra quem ele é e realiza o milagre do retorno à vida desta terra de seu amigo Lázaro. Certamente a compreensão dos Sacramentos e da presença salvífica de Jesus na vida dos cristãos pode acontecer também em ambientes de convivência fraterna e amiga a que somos convidados.

 

"Sinais da vida que vence a morte estão espalhados por toda parte. Em Jesus, Senhor e Salvador, identificamos a cura das enfermidades, o controle das forças da natureza e a vitória na luta renhida contra o demônio". 

Sinais da vida que vence a morte estão espalhados por toda parte. Em Jesus, Senhor e Salvador, identificamos a cura das enfermidades, o controle das forças da natureza e a vitória na luta renhida contra o demônio. Os sete sinais relatados pelo Evangelho de São João, que assim chama os milagres, passam por diversas situações humanas, dando-nos uma visão do alcance da ação do Senhor. Água se transforma em vinho, nas Bodas de Caná (Jo 2,1-12); o filho de um funcionário real é curado também em Caná (Jo 4, 46-54); um homem doente havia trinta e oito anos é curado por Jesus (Jo 5, 1-18); Cinco pães e dois peixinhos são multiplicados para uma multidão (Jo 6, 1-15); Jesus caminha sobre o mar da Galileia (Jo 6, 16-21); Um cego de nascença recupera a vista (Jo 9, 1-41). O sétimo sinal anuncia a própria Ressurreição de Jesus. Lázaro, que volta à vida, representa o homem renascido pela fé em Jesus Cristo. Muita gente acompanha, além de Marta, Maria e os Discípulos, o que Jesus fez. Também a mudança profunda que acontece na vida do cristão é acompanhada pela Comunidade, que o apoia e sustenta. A morte já está vencida, pela vitória de Jesus Cristo. O tempo novo se inaugura quando Jesus se afirma Ressurreição e Vida.

Para chegar à profunda profissão de fé, feita por Marta, irmã de Lázaro, houve um caminho percorrido pelas pessoas envolvidas nos fatos. Daí recolhemos alguns ensinamentos preciosos. A amizade foi ponto de partida para um relacionamento profundo estabelecido entre a família, Jesus e seus discípulos. Nosso encontro com o Senhor pode também partir de coisas simples, de diálogos em que a vida, o serviço, os dramas familiares, as questões ligadas ao trabalho, ou o simples bate-papo pode ser início do aprofundamento do sentido da vida, para sermos então conduzidos ao Senhor. Não se jogue fora qualquer oportunidade para lançar sobre pessoas e fatos a luz do Evangelho, para chegar à confissão de Jesus como Ressurreição e Vida.

As notícias correm! Jesus ficou sabendo da situação de Lázaro, com o qual tinha um relacionamento sincero e profundo. O Senhor sabe que a glória de Deus se manifestará. Vive cada momento com dignidade e seriedade, sem precipitações, sabendo a hora de tomar as decisões. Seus discípulos de ontem e de hoje aprendem com o Mestre o caminho do discernimento, fundamental para que os acontecimentos não se precipitem. Hão de repetir muitas vezes, com o Tomé da decisão, mais do que o homem da dúvida: “Vamos também nós, para morrermos com ele” (Jo 11,16). Será uma história muitas vezes tensa, cheia de crises, idas e vindas, quedas e soerguimento. É muito bom fazer esta estrada, sabendo que nunca estaremos sozinhos para chegar à Ressurreição e à Vida.

Chegados com Jesus e seus discípulos a Betânia, nós também estamos em casa de pobres, o que significa este nome. Recolhemos todo o luto e o drama que significa a morte, sejam quais forem as circunstâncias. Os costumes da época, com carpideiras a clamar, ou mesmo os velórios de todos os tipos de nosso tempo, enfeitados ou maquiados, ou quem sabe os fornos crematórios postos em moda, mas morte é morte! Um dia, seremos desafiados a chamá-la irmã, com São Francisco, ou nos tornarmos os mais dignos de dó (Cf. I Cor 15, 12-26), por sermos homens e mulheres sem esperança. O cristão entra de cabeça e coração nas situações humanas, não usa subterfúgios para explicá-las, gosta da verdade e as enfrenta com honestidade. Choro e lágrimas não fazem mal a ninguém! O que faz mal é enrolar a nós mesmos e aos outros. Nesta estrada da verdade, chegaremos à Ressurreição e à vida plena.

 

"Nosso encontro com o Senhor pode também partir de coisas simples, de diálogos em que a vida, o serviço, os dramas familiares, as questões ligadas ao trabalho, ou o simples bate-papo pode ser início do aprofundamento do sentido da vida..."

O Evangelho de São João nos conduz pelas mãos, para aprender de Jesus. Ele consola as duas irmãs, ouve seus lamentos, chora com elas, provoca a profissão de fé, que precede o milagre! Jesus identifica em Marta a fé na ressurreição e a conduz a professar sua fé atualizada naquele que é Ressurreição e Vida. Queremos também nós recolher as sementes da fé que são o fruto da graça recebida no Batismo, tantas vezes guardada e não praticada. Mas ela está dentro de cada homem e de cada mulher que recebeu o Sacramento. Nasce um convite renovado a tantas pessoas que se esqueceram, por muitos e variados motivos, da graça recebida. Pode ser esta a hora da graça, nesta Quaresma e na Páscoa que se aproxima, para a reconciliação com Deus e com a Igreja. Nosso convite toque na liberdade de cada pessoa, antes de prometermos coisas extraordinárias, até porque o mais extraordinário já aconteceu na Páscoa daquele que é Ressurreição e Vida.

Jesus é Mestre, Catequista, Senhor e Irmão! Duas vezes chorou, comovendo-se interiormente. Deus, sim, mas Homem verdadeiro, com sensibilidade apurada. Vamos com Ele a todos os sepulcros! Mesmo diante das situações nas quais a morte do corpo e da alma dá sinais de putrefação – “Já cheira mal, é o quarto dia” (Jo 11, 39), soa a hora da esperança. Não há pedra de sepulcro ou sentença de condenação que resistam àquele que é Ressurreição e Vida. Chegue a todos os ouvidos o convite: “O Mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). Que o Senhor ressuscitado grite a todos os homens e mulheres que saiam de sua inércia e se deixem desamarrar pela ação da Igreja, para conhecerem aquele que é a Ressurreição e a Vida.
Os sinais da Páscoa de Cristo se multipliquem, para que nos abramos à sua graça. O oitavo sinal está à disposição! É a Eucaristia de cada Domingo, onde se encontra aquele que é Ressurreição e Vida.

Vivemos com a Igreja três domingos correspondentes a temas muito caros à vida cristã, em vista da celebração dos Sacramentos de Iniciação, prevista para a Vigília Pascal. As pessoas que serão batizadas na Páscoa estarão diante de Jesus Cristo, aquele que oferece a Água Viva, Jesus, Luz do Mundo, o mesmo que se revela Ressurreição e Vida, quando se dirige a Betânia, casa de seus queridos amigos Lázaro, Maria e Marta (Jo 11, 1-45). Betânia foi um lugar de experiências muito felizes e profundas de Jesus com seus discípulos. Tudo indica que era uma casa em que se sentiam à vontade, espaço de intimidade e liberdade. Podemos imaginar a visita feita por Jesus, quando a Marta pressurosa até reclama por sua irmã de dedicar tanto à escuta do Mestre, ou os diálogos em torno de uma mesa de almoço. 

Jesus fizera voltar à vida a filha de Jairo e o filho único da viúva de Naim. Mas agora, trata-se de um amigo pessoal, com quem certamente terá partilhado confidências. É neste clima de intimidade, no qual se envolviam as duas irmãs de Lázaro, que acontece a revelação de Jesus como Ressurreição e Vida. Jesus mostra quem ele é e realiza o milagre do retorno à vida desta terra de seu amigo Lázaro. Certamente a compreensão dos Sacramentos e da presença salvífica de Jesus na vida dos cristãos pode acontecer também em ambientes de convivência fraterna e amiga a que somos convidados.

Sinais da vida que vence a morte estão espalhados por toda parte. Em Jesus, Senhor e Salvador, identificamos a cura das enfermidades, o controle das forças da natureza e a vitória na luta renhida contra o demônio. Os sete sinais relatados pelo Evangelho de São João, que assim chama os milagres, passam por diversas situações humanas, dando-nos uma visão do alcance da ação do Senhor. Água se transforma em vinho, nas Bodas de Caná (Jo 2,1-12); o filho de um funcionário real é curado também em Caná (Jo 4, 46-54); um homem doente havia trinta e oito anos é curado por Jesus (Jo 5, 1-18); Cinco pães e dois peixinhos são multiplicados para uma multidão (Jo 6, 1-15); Jesus caminha sobre o mar da Galileia (Jo 6, 16-21); Um cego de nascença recupera a vista (Jo 9, 1-41). O sétimo sinal anuncia a própria Ressurreição de Jesus. Lázaro, que volta à vida, representa o homem renascido pela fé em Jesus Cristo. Muita gente acompanha, além de Marta, Maria e os Discípulos, o que Jesus fez. Também a mudança profunda que acontece na vida do cristão é acompanhada pela Comunidade, que o apoia e sustenta. A morte já está vencida, pela vitória de Jesus Cristo. O tempo novo se inaugura quando Jesus se afirma Ressurreição e Vida.

Para chegar à profunda profissão de fé, feita por Marta, irmã de Lázaro, houve um caminho percorrido pelas pessoas envolvidas nos fatos. Daí recolhemos alguns ensinamentos preciosos. A amizade foi ponto de partida para um relacionamento profundo estabelecido entre a família, Jesus e seus discípulos. Nosso encontro com o Senhor pode também partir de coisas simples, de diálogos em que a vida, o serviço, os dramas familiares, as questões ligadas ao trabalho, ou o simples bate-papo pode ser início do aprofundamento do sentido da vida, para sermos então conduzidos ao Senhor. Não se jogue fora qualquer oportunidade para lançar sobre pessoas e fatos a luz do Evangelho, para chegar à confissão de Jesus como Ressurreição e Vida.

As notícias correm! Jesus ficou sabendo da situação de Lázaro, com o qual tinha um relacionamento sincero e profundo. O Senhor sabe que a glória de Deus se manifestará. Vive cada momento com dignidade e seriedade, sem precipitações, sabendo a hora de tomar as decisões. Seus discípulos de ontem e de hoje aprendem com o Mestre o caminho do discernimento, fundamental para que os acontecimentos não se precipitem. Hão de repetir muitas vezes, com o Tomé da decisão, mais do que o homem da dúvida: “Vamos também nós, para morrermos com ele” (Jo 11,16). Será uma história muitas vezes tensa, cheia de crises, idas e vindas, quedas e soerguimento. É muito bom fazer esta estrada, sabendo que nunca estaremos sozinhos para chegar à Ressurreição e à Vida.

Chegados com Jesus e seus discípulos a Betânia, nós também estamos em casa de pobres, o que significa este nome. Recolhemos todo o luto e o drama que significa a morte, sejam quais forem as circunstâncias. Os costumes da época, com carpideiras a clamar, ou mesmo os velórios de todos os tipos de nosso tempo, enfeitados ou maquiados, ou quem sabe os fornos crematórios postos em moda, mas morte é morte! Um dia, seremos desafiados a chamá-la irmã, com São Francisco, ou nos tornarmos os mais dignos de dó (Cf. I Cor 15, 12-26), por sermos homens e mulheres sem esperança. O cristão entra de cabeça e coração nas situações humanas, não usa subterfúgios para explicá-las, gosta da verdade e as enfrenta com honestidade. Choro e lágrimas não fazem mal a ninguém! O que faz mal é enrolar a nós mesmos e aos outros. Nesta estrada da verdade, chegaremos à Ressurreição e à vida plena.

 

"Jesus é Mestre, Catequista, Senhor e Irmão! Duas vezes chorou, comovendo-se interiormente. Deus, sim, mas Homem verdadeiro, com sensibilidade apurada. Vamos com Ele a todos os sepulcros!" 

O Evangelho de São João nos conduz pelas mãos, para aprender de Jesus. Ele consola as duas irmãs, ouve seus lamentos, chora com elas, provoca a profissão de fé, que precede o milagre! Jesus identifica em Marta a fé na ressurreição e a conduz a professar sua fé atualizada naquele que é Ressurreição e Vida. Queremos também nós recolher as sementes da fé que são o fruto da graça recebida no Batismo, tantas vezes guardada e não praticada. Mas ela está dentro de cada homem e de cada mulher que recebeu o Sacramento. Nasce um convite renovado a tantas pessoas que se esqueceram, por muitos e variados motivos, da graça recebida. Pode ser esta a hora da graça, nesta Quaresma e na Páscoa que se aproxima, para a reconciliação com Deus e com a Igreja. Nosso convite toque na liberdade de cada pessoa, antes de prometermos coisas extraordinárias, até porque o mais extraordinário já aconteceu na Páscoa daquele que é Ressurreição e Vida.

Jesus é Mestre, Catequista, Senhor e Irmão! Duas vezes chorou, comovendo-se interiormente. Deus, sim, mas Homem verdadeiro, com sensibilidade apurada. Vamos com Ele a todos os sepulcros! Mesmo diante das situações nas quais a morte do corpo e da alma dá sinais de putrefação – “Já cheira mal, é o quarto dia” (Jo 11, 39), soa a hora da esperança. Não há pedra de sepulcro ou sentença de condenação que resistam àquele que é Ressurreição e Vida. Chegue a todos os ouvidos o convite: “O Mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). Que o Senhor ressuscitado grite a todos os homens e mulheres que saiam de sua inércia e se deixem desamarrar pela ação da Igreja, para conhecerem aquele que é a Ressurreição e a Vida.

Os sinais da Páscoa de Cristo se multipliquem, para que nos abramos à sua graça. O oitavo sinal está à disposição! É a Eucaristia de cada Domingo, onde se encontra aquele que é Ressurreição e Vida.

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Jesus “fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2Cor  8,9).

Estamos em plena Quaresma, tempo favorável para a conversão e mudança de vida: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2b).

O Papa Francisco, na sua Mensagem para a Quaresma deste ano, oferece-nos preciosas pistas para o caminho pessoal, comunitário e social de conversão. Como motivo inspirador de sua Mensagem, o Papa escolheu a seguinte frase da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: Jesus “fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9).

Pelo Mistério da Encarnação, Jesus Cristo, “o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximando-se de cada um de nós; despojou-se, ‘esvaziou-se’, para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fl 2,7; Hb 4,15)”. Numa frase contundente, São Paulo assim expressa este amor infinito de Deus em seu Filho pela humanidade: “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós” (2Cor 5,21), para que nele tenhamos o perdão e a reconciliação.

 

"Este é o grande apelo da Quaresma: acabar com a nossa miséria material, moral e espiritual, a fim de experimentarmos a alegria de sermos perdoados pelo amor de Deus".  

O Papa Francisco pergunta: “Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10,25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza”.

Queridos irmãos e irmãs: este é o grande apelo da Quaresma: acabar com a nossa miséria material, moral e espiritual, a fim de experimentarmos a alegria de sermos perdoados pelo amor de Deus. Se nós somos criaturas saídas das mãos amorosas do Pai, porém, devemos confessar, humilde e sinceramente, que todos nós erramos e pecamos. Como diz o apóstolo João: “Se dissermos que não temos pecado, estamos enganando a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1,8).

Dentro da temática da Campanha da Fraternidade deste ano (Tema: “Fraternidade e Tráfico Humano”), devemos pedir perdão a Deus pela chaga social do tráfico das pessoas humanas, por todas as vezes que somos omissos e indiferentes diante deste mal que aflige a nossa sociedade. Quantos se deixam subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Se, pois, examinamos a vida das nossas famílias, quantas vezes aí reinam a discórdia, a infidelidade, a prepotência, a falta de diálogo! Quantas crianças e adolescentes sem voz! Quantos idosos sem lugar! Quantos ataques aos valores fundamentais do tecido familiar e da própria convivência social! Também no que diz respeito à nossa fé vivida em comunidade: são tantas as vezes que não contribuímos para tornar nossa Igreja uma verdadeira família de discípulos missionários do Senhor Jesus!

Sim, meus irmãos e irmãs: precisamos de um profundo exame de consciência e, batendo no peito, dizer, de coração aberto: “Ó Deus, tem piedade de nós, conforme a tua misericórdia; no teu grande amor cancela o nosso pecado. Lava-nos de toda a nossa culpa, e purifica-nos de nosso pecado” (cf. Sl 51[50],1-2). Se muitas vezes naufragamos por causa do pecado, perdendo o verdadeiro sentido da vida, que a misericórdia de Deus venha em nosso socorro para que, em Cristo crucificado e ressuscitado, reencontremos o porto da vida e da paz (cf. Lc 15).

 

"A experiência da misericórdia de Deus é vivida particularmente no Sacramento da Confissão ou da Reconciliação".

A experiência da misericórdia de Deus é vivida particularmente no Sacramento da Confissão ou da Reconciliação. Este Sacramento nos convida à conversão, nos renova na santidade e nos reconcilia com Deus e com nossos irmãos e irmãs, pois, “não devemos esquecer que a reconciliação com Deus tem como consequências, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo, no íntimo mais profundo de seu ser, recuperando a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que, de alguma maneira, ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1469b).

Durante este tempo de Quaresma, muitas das nossas comunidades organizam celebrações penitenciais em preparação ao Mistério da Páscoa que se aproxima, quando vários sacerdotes se dispõem para atender a confissão dos penitentes. Quando participamos do Sacramento da Confissão, como é salutar e enriquecedor ouvir a voz do Pai que nos diz: “Este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado!” (Lc 15,24).

Peçamos que a graça do Espírito Santo fortaleça nossos propósitos para mudar de vida e deixar que a graça de Deus que é derramada em nós no Sacramento da Confissão não seja recebida em vão (cf. 2Cor6,1). Que Deus nos torne misericordiosos e agentes de misericórdia.

Queridos irmãos e irmãs: suplico ao Bom Deus que cada um e cada uma de nós percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, libertando-nos do pecado e vivendo plenamente “a liberdade para qual Cristo nos libertou” (cf. Gl 5,1). 

Dom Vicente Costa  - Diocese de Jundiaí (SP)

www.a12.com

 

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Neste ano, ao falarmos de caridade no sentido de amor fraterno, serviçal e desinteressado nos vem correndo à mente outra palavra que tem um significado muito rico nas parábolas evangélicas, especialmente no evangelista Lucas – a misericórdia.

Esta é definida na Língua Portuguesa como “a virtude que leva a ter compaixão pelas misérias dos outros”. Definição precisa em que cada palavra tem seu significado e por isso merece, ainda que de modo sucinto, um aprofundamento.

Virtude é a disposição ou a força constante da alma que nos leva a praticar o bem e a evitar o mal. Compaixão, por sua vez, é sofrer com (cum + passio, passionis, no Latim), ou seja, não basta somente o meu interesse teórico pelos problemas do outro.

Ao contrário, sou chamado – a exemplo de Cristo que veio do seio do Pai partilhar conosco todas as vicissitudes desta vida, menos o pecado – a “sentir na pele” o que sente o meu irmão, a fim de poder, desse modo, entender o seu drama e buscar, incansavelmente, uma saída eficaz para os males que o acometem.

Dito isso, não há como não pensar, de imediato, na parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), mergulhar nessa narrativa de Jesus e dela extrair consequências práticas para a nossa vida diária cercada por tantas belezas naturais, mas também por não poucas e nem pequenas mazelas humanas a clamarem por soluções imediatas.

 

"Virtude é a disposição ou a força constante da alma que nos leva a praticar o bem e a evitar o mal"

Pois bem, Lucas nos conta que Jesus está em uma sinagoga nas proximidades de Jericó e ali um Doutor da Lei (legista) lhe propõe uma questão espinhosa: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?” Longe de dar uma resposta pronta, que poderia acarretar discussão estéril e prolongada, Jesus faz ao legista outra pergunta, levando-o à reflexão a partir da própria legislação de Moisés, na qual o interrogante era especialista: “Que está escrito na Lei?”

O legista, então, responde: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo”.

Aqui já há um problema a ser desvendado no desenrolar da narrativa de Lucas, que é o seguinte: para o legista o próximo não era qualquer pessoa, como era para Jesus, mas apenas o companheiro, o amigo, o compatriota, o vizinho de tribo, enfim, o conceito de próximo se restringia a um grupo bem restrito de pessoas.

Vê-se, assim, que a prática da caridade para o especialista em leis que busca Jesus estava limitada a quem fosse israelita e não aos estrangeiros, por exemplo. Para ele não era válido o ensinamento de São Paulo a dizer que a plenitude da Lei é a caridade (Gl 5,14), por isso insiste o legista no questionamento a Cristo: “E quem é meu próximo?” Aqui há outro impasse: se vale a Lei pela Lei, só é próximo quem tem a mesma nacionalidade, mas se vale a mensagem de Jesus, então todo ser humano deve ser considerado meu semelhante, e tenho o dever ético de ajudá-lo em suas penúrias.

Certamente, mais uma vez, para evitar uma discussão delongada e infrutífera, o Senhor Jesus contorna a pergunta contando a parábola que ficou conhecida como a do “Bom Samaritano”, e inspira até hoje tantos nomes de instituições de caridade pelo mundo todo. E qual o teor dessa rica parábola que evoca solicitude para com a miséria alheia?

Conta Jesus que um homem descia de Jerusalém para Jericó e, na estrada, foi assaltado, espancado e deixado quase morto. Passam pelo ferido um sacerdote e depois um levita, homens de Deus, mas que, talvez para não se atrasarem para o culto, não perdem tempo com o necessitado.

Eis, porém, que, em seguida, atravessa por ali um samaritano, homem que o Doutor da Lei odiava, especialmente por razões político-religiosas. Sim, eles eram filhos de assírios com israelitas e, portanto, considerados impuros. Ademais, construíram um templo próprio sobre o monte Garizim, afastando-se, desse modo, do verdadeiro Templo de Jerusalém, gesto que levava os samaritanos a serem considerados cismáticos.

Contudo, é o excluído samaritano quem ajuda o caído, untando suas feridas com vinho e azeite, prestando-lhe, como diríamos hoje, os primeiros socorros. Depois, leva-o a um albergue, cuida dele durante a noite e, ao sair para seguir viagem, deixa ao dono da hospedaria pagamento antecipado para o cuidado do enfermo, garantindo ainda que se houvesse algum gasto a mais, na volta da viagem, ele – o samaritano – pagaria.

Concluída a parábola, Jesus se volta para o Doutor da Lei e pergunta: “Na tua opinião, qual dos três foi próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” Ora, o legista não queria responder: “o samaritano”, nome que ele não ousava pronunciar, mas também não poderia cair em contradição dizendo que fora o sacerdote ou o levita.

Então se sai com essa: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”, ou seja, o samaritano. Ao que o Senhor Jesus exorta: “Vai tu também e faze o mesmo”.

Dessa parábola, poderíamos tirar muitas reflexões proveitosas. Atentemo-nos, porém, para algumas delas:

Ela remove a ideia de que próximo é só o meu conterrâneo ou o meu amigo. É meu próximo todo homem ou mulher que necessite da minha ajuda. Não preciso saber seu nome, sua terra, sua religião, seu status social. Devo estender-lhe a mão e socorrê-lo. Afinal, a razão de o Evangelho omitir o nome e a região de proveniência do homem assaltado não é para ensinar que todos somos, indistintamente, irmãos?

Outro ponto é que o problema da caridade não está em quem será auxiliado, mas em quem auxilia. Temos preconceitos e até tentamos nos justificar: se ele não fosse dependente químico, eu até o ajudaria; se ela não morasse naquela região da cidade, eu bem que poderia auxiliar; se ele fosse outra pessoa e não um ex-presidiário, até que eu faria algo por ele... E assim vai nossa cantilena de justificativas sem compaixão.

Um terceiro aspecto a destacar é o amor aos inimigos, algo difícil e que exige de nós uma profunda conversão diária. Difícil, sim, porém não impossível, especialmente se contamos com a graça de Deus, que a ninguém falta. É por essa graça que ficou marcado o exemplo do Papa João Paulo II ao visitar, na cadeia, o homem que tentou matá-lo na Praça de São Pedro, a fim de oferecer ao atirador profissional o seu perdão.

 

"Como é possível viver essa caridade misericordiosa e compassiva?"

Ainda uma questão pode ser aprofundada: como é possível viver essa caridade misericordiosa e compassiva? – Responde-nos Bento XVI: “Isso só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então, aprendo a ver aquela pessoa já não somente com meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo.

O Seu amigo é meu amigo. (...) Mas se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser ‘piedoso’ e cumprir os meus ‘deveres religiosos’, então definha também a relação com Deus. Nesse caso, trata-se de uma relação correta, mas sem amor.

Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama” (Deus caritas est, n. 18).

Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Fonte: http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-caridade-e-o-bom-samaritano

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Durante a Quaresma, tempo de graça e de salvação, a prática de jejum nos é proposta como penitência, isto é: como exercício de santificação para nos ajudar na volta para o Pai. Esta prática penitencial, vivida por Jesus no deserto e instrumento de satisfação para tantos irmãos nossos, traz, em si, um tríplice significado, que gostaria de comentar a seguir.

a)      Renúncia

A tudo que é contrário à vontade de Deus, e que, assim, se constitui em pecado, temos que renunciar por nossa própria condição cristã, porque, sendo cristãos, renegaríamos o Senhor se não vivêssemos de acordo com sua lei. Mas o Jejum, enquanto renúncia, não é isto. Ele exige que ela seja feita sobre aquilo que nos é devido por direito, quer na alimentação, quer no conforto, na diversão, no lazer, em qualquer situação que nos traga prazer. Tal renúncia nos une a Cristo e nos permite dominar a nós mesmos, libertando-nos de nossa própria vontade. Santa Teresa Benedita da Cruz, Edite Stein, rezava: “Senhor, livrai-me de mim mesma”. Jejuar é renunciar a si mesmo, para unir-se ao Cristo.

b)      Partilha

 

"Aquilo a que renunciamos não pode ser guardado para nós, mas precisa ser partilhado com os necessitados".

Aquilo a que renunciamos não pode ser guardado para nós – pois descaracterizaria a renúncia – mas precisa ser partilhado com os necessitados. O objeto da renúncia não me pertence mais, e, para que seja agradável a Deus como prática santificadora, deve ser aplicado em socorro dos que sofrem.  A caridade, amar o outro por amor a Deus, exige que o bem praticado não retorne a mim sob nenhuma condição, mas, saindo de mim, passe pelo próximo e vá para Deus. São Francisco nos ensina que “o pobre é, para nós, a imagem de Deus”, e isto se fundamenta naquilo que o próprio Senhor nos adverte: “o que fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25).

c)      Consagração

Consagrar é separar para o Sagrado, separar para Deus. Renunciando a nós mesmos e partilhando com os pobres, temos que ter claro que é por amor a Deus. São João nos diz que é amando ao irmão que vemos, que amamos a Deus a quem não vemos (1 Jo).

Ele, o Senhor, vem dar o sentido a toda nossa vida. É o amor a Ele que nos difere dos agentes sociais, dos líderes políticos, dos que trabalham nas ONG’s. Ele é o sentido último e o motivo absoluto que nos impele a amar, a servir sem receber retorno, na única certeza de que, devolvendo a Ele o amor que dele recebemos (Deus nos amou primeiro – 1 Jo), participaremos do seu Reino e seremos herdeiros de sua glória.

Que o jejum quaresmal nos ajude a chegar ao Pai, pois seu Espírito nos inspira sua prática e seu coração amoroso nos aguarda. Demos tão grande alegria ao Pai, que, em seu amor, nos inspira a volta para Ele, para nos dar a Vida Eterna.

Praticando a penitência em união com Cristo, tornamo-nos sacrifício para o Pai, tornamo-nos liturgia, canto de louvor e de adoração.

Dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida
Bispo Auxiliar de Salvador (BA)

Fonte: http://www.a12.com

 

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A Quaresma é um tempo litúrgico muito especial na Igreja de Cristo. Ele nos prepara para a celebração da Páscoa, a principal festa litúrgica cristã, pois nela se celebra a ressurreição de Cristo. Deste modo se tem o prolongamento quaresmal que é o Tempo Pascal.

Historicamente o Tempo da Quaresma intervém três elementos fundamentais:

a) a preparação dos catecúmenos para o batismo na vigília pascal;
b) reconciliação dos penitentes públicos para viverem com a Comunidade;
c) preparação de toda a Comunidade para a grande festa da Páscoa.

 

"A Quaresma carrega, pois, em seu pleno sentido, a conversão tão necessária para todos nós". 

A Quaresma carrega, pois, em seu pleno sentido, a conversão tão necessária para todos nós. A certeza da vida em Cristo, Ele ressuscitado dos mortos é a grande força para todos os que nele creem. Por isso, a Quaresma é liturgicamente batismal. Deste mesmo sentido decorrem a penitência e os jejuns, ou seja, voltados para a conversão pessoal e comunitária.

A reforma conciliar, Sacrosanctum Concilium 109 a 110 nos faz entender que a Quaresma é:

a) um tempo de renovação, de retiro, de conversão;
b) tempo forte de fé na vida da Igreja, na vida dos cristãos e de todas as Comunidades eclesiais;
c) voltamos nossa atenção ao mistério pascal, à passagem do mundo para o Pai;
d) reunimo-nos nos grupos ou em Comunidade para meditar a Palavra e tomar iniciativas favoráveis à vida.

Esse tempo favorável da graça divina nos desperta para revisar nossa vida e nossos propósitos libertadores, como também nossa ação pastoral. Quaresma é tempo propício para mudar a vida da gente.

Padre Ferdinando Mancílio, C.Ss.R., 24 de Março de 2014

 

Fonte: http://www.a12.com/formacao/detalhes/quaresma

 

 

 

 

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Quaresma é o Tempo de Deus em nossa frágil humanidade. É Tempo sacramental, pois na Quaresma podemos ver, com os olhos da fé, a imensidão do amor de Deus por nós. É infeliz quem não acredita no amor, pois correrá o tempo todo para buscar alguma coisa, e até mesmo sem saber o que está buscando, para encontrar-se com o amor, e poder dizer: Fugi do amor e acabei por encontrá-lo! Somente o amor pode realizar plenamente o ser humano, seja ele europeu ou asiático, do norte ou do sul, do oriente ou do ocidente. O amor verdadeiro não tem limites. O Tempo sacramental, a Quaresma, desperta-nos para essa lógica do Reino. A lógica humana é muito frágil e precisa de muitos argumentos para se sustentar. A lógica do Reino é precisa: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar sua própria vida, perdê-la-á; mas quem perder sua vida por minha causa, salva-la-á" (Lc 9,23-24). É convite transparente, não se impõe: "Se alguém quiser...".

Diante de Jesus e de sua cruz se esvai toda lógica humana, pois o Reino não está na força e na dominação, mas no deixar-se envolver pela Palavra e pelo modo de ser e de viver de Jesus de Nazaré. Ele viveu para os outros.

A Quaresma, Tempo sacramental, nos dá o pleno sentido da vida, quando tomamos consciência de nós mesmos e de nossa responsabilidade no mundo. Voltar-se unicamente para si mesmo é cavar um abismo sob os próprios pés. Parece-me que há um clima em nossa sociedade que deseja desfazer-se de tudo o que é sagrado, verdadeiro, para consagrar o homem, suas atitudes, sua sabedoria. O que é finito não pode tornar-se absoluto. Este é o ilógico do homem moderno: querer tornar-se senhor de si mesmo, absoluto, negando toda dependência que temos, dos outros e de Deus. A ciência passa, nossa história termina, nossas ilusões nos decepcionam. O que permanece é somente o amor, nada mais do que o amor, porque realiza-nos, fortalece-nos, faz-nos ser gente de verdade (1Cor 13).

O Tempo sacramental da Quaresma faz-nos voltar, sim, para o mais profundo de nosso ser, pois como o barro nas mãos do oleiro é amoldado e ganha formas esplêndidas e encantadoras, também nós, nas mãos do Senhor, tornamo-nos artífices da paz e de seu Reino.

Deus levou-nos muito a sério, convocando-nos em Cristo, na força do seu evangelho. Por isso, devemos sim ter grande estima para com nós mesmos, e aplicar toda nossa força, contando com a graça de Deus, para sair de nossa miséria. O homem e a mulher precisam fazer a história acontecer, mas contando com Deus, com seu amor, com sua presença. Que a frieza do egoísmo não venha atingir e sobrepor-se à força do amor, que nos transforma e nos realiza verdadeiramente como pessoa humana. E nosso modelo de ser humano chama-se Jesus!​

Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

Fonte: http://www.a12.com

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odo cristão precisa sempre manter a sua fidelidade em responder ao projeto de Deus. Uma das maneiras de se aproximar de Deus é confessar-se ao menos uma vez por ano, conforme nos pede o segundo mandamento da Lei da Igreja. Desta forma, iluminados pela fé recebida em nosso batismo, nos esforçamos para encontrar caminhos para chegar a conversão. Este também é um momento de reconciliação, pois desta forma os cristãos podem receber a graça do perdão.

O Prefeito de Igreja do Santuário Nacional de Aparecida, padre Valdivino Guimaraes afirmou que este é um sacramento muito importante para os fiéis, pois através dele nós nos reconciliamos com Deus.

“A confissão é um momento sagrado em que nós podemos, por meio do sacerdote, contemplar o sacramento da reconciliação. Este é um momento em que nós podemos nos reconciliar com Deus recebendo o seu perdão”, afirmou.

Padre Valdivino ressaltou que, neste tempo da quaresma, nós precisamos nos preparar para contemplar o Cristo que vai ressuscitar, por meio das celebrações, da santa Eucaristia e também por meio dos sacramentos.

Padre Valdivino afirmou que no Santuário Nacional de Aparecida existe um grande cuidado em atender aos fiéis que procuram este sacramento.

“Estamos sempre de prontidão para acolher o povo de Deus que vem ao Santuário Nacional para receber o sacramento da confissão, tendo em vista que o nosso fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, Santo Afonso Maria de Ligório, patrono dos confessores, aconselhava a agir com misericórdia no confessionário, a exemplo de Jesus Cristo”, afirmou. 

Confissão comunitária e confissão individual 

 

“A Igreja permite a confissão comunitária quando recebemos muitos peregrinos para serem atendidos em confissão..."

Padre Valdivino nos explica que a confissão comunitária e a confissão individual tem o mesmo valor.

“A Igreja permite a confissão comunitária quando recebemos muitos peregrinos para serem atendidos em confissão, mas não temos um número suficiente de sacerdotes. Desta forma, devemos buscar como alternativa a confissão comunitária, como muitos padres fazem em suas paróquias”.

Segundo o Missionário Redentorista, a Igreja pede que todos, inclusive os sacerdotes, possamos receber o sacramento da reconciliação pelo menos uma vez ao ano. O penitente pode procurar o sacerdote no momento em que ele sentir necessidade.  

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Alguns aspectos desse sacramento

Alguns nomes desse sacramento são: sacramento da Conversão (o que se busca ao confessar-se é atender o convite de Jesus à conversão), sacramento da Penitência (esforço que fazemos para ajudar-nos a reparar os pecados cometidos e fortalecer-nos para a luta), sacramento da Confissão (porque confessar os pecados é elemento essencial desse sacramento), sacramento do Perdão (porque através dele recebemos o perdão e a paz) e finalmente sacramento da Reconciliação (porque manifesta ao pecador o amor de Deus que reconcilia).

 

"Os passos para uma boa confissão são os seguintes: exame de consciência, arrependimento de ter pecado, confissão dos pecados e a decisão de não pecar mais".

Os passos para uma boa confissão são os seguintes: exame de consciência, arrependimento de ter pecado (contrição), confissão dos pecados e a decisão de não pecar mais (esse é o sentido da penitência pedida pelo sacerdote).

Ao confessar-se é muito importante que sejam ditos todos os pecados que lembrarmos no momento, especialmente os mortais. Se esquecermos de algum pecado, não tem problema, pois Deus perdoa todos os pecados. Porém, se conscientemente ocultarmos alguma falta grave, a confissão não é plena: é como irmos ao médico querendo ficar curado e ocultarmos um dos sintomas. A confissão das faltas leves também é altamente recomendável, pois nos ajuda a tomarmos mais consciência de nossa condição de pecadores, buscando assim cada dia ser mais semelhante a Cristo.

Os ministros desse sacramento são os bispos e seus sucessores e os presbíteros. Cristo deu o poder de perdoar os pecados apenas a eles. Eles têm missão, apesar de sua condição de pecadores, de serem transmissores da misericórdia de Deus. A graça de Deus adquire uma força maior quando é transmitida por vasos de barro.

Ao recebermos o sacramento, somos reconciliados nos quatro níveis de relação: com Deus, comigo mesmo, com meus irmãos (e por conseqüência com a Igreja) e com a criação.

Uma prática muito recomendável para obter a misericórdia de Deus para com os nossos irmãos e irmãs que partiram para uma nova vida é a indulgência.

Acolhamos o dom da reconciliação, acompanhados por Maria, a mãe da misericórdia

Maria como ninguém, quer que todos acolham o amor do seu Filho. Ela é, como rezamos na Salve Rainha, a Mãe da misericórdia. Com Maria, nenhum pecador está perdido. Um dos últimos recursos que tem o pecador é a Ave Maria.

Acolhamos o dom da reconciliação, guiados por Nossa Mãe Aparecida, confiantes de que Deus sempre acolhe o seu filho pródigo. 

Por Polyana Gonzaga

Fonte: http://www.a12.com

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Este mês a caminhada de nossa Igreja é marcada pelo tempo da Quaresma.  Não é um tempo de tristeza, mas sim de recolhimento e revisão da nossa vida, para que possamos celebrar os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus na Festa da Páscoa. Para que a Páscoa seja passagem para uma vida nova, precisamos preparar nosso coração e procurar abandonar os hábitos e costumes que nos afastam de Deus e dos irmãos.

Por isso, a Igreja nos propõe três atitudes básicas neste tempo. A primeira delas é a oração: devemos rezar mais, ler e meditar ainda mais a Palavra de Deus para que possamos perceber a vontade do Senhor em nossa vida. A segunda atitude é o jejum, proposto para a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, mas que podemos vivenciar também por meio da renúncia de ações ou coisas que atendem apenas aos nossos caprichos e não nos deixam seguir o projeto de Jesus.

A esmola é a terceira atitude. Esta deve ser um fruto do nosso jejum: a renúncia que faço deve resultar em algo positivo para os meus irmãos e irmãs. Por isso, vale o conselho de Jesus: “Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto”. (Mt 6, 17-18). Por isso, o meu jejum deve resultar em um sorriso no rosto, sinal de minha alegria em viver a fé, e também no encontro com o meu próximo, servindo-o em sua necessidade. 

 “Eis o tempo de conversão. Eis o dia da Salvação! Ao Pai voltemos, e juntos andemos. Eis o tempo de conversão!”.

 

Pe. Abdon Dias Guimarães, C.Ss.R.

Pároco

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Quaresma é tempo especial de parar, de entrar no silêncio de nosso coração, para vermos com clareza o que é essencial em nossa caminhada cristã.

Mais uma vez Deus nos dá a oportunidade para uma revisão profunda de nossa vida, para uma nova arrancada, para uma verdadeira conversão do coração, enfim, para sermos atingidos pela experiência redentora de Jesus Cristo.

Só pela oração e pela luz do Espírito Santo, seremos capazes de escolher o que é melhor para agradar a Deus e para sermos livres e felizes. A Quaresma é um período de esforço especial em nosso caminho espiritual. Para bem assumirmos esse caminho é necessário ouvir a voz de Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.

Deus não impõe nada. Ele propõe, pois respeita a nossa liberdade e a nossa escolha. Jesus sempre dizia: “se queres seguir-me, se queres ser meu discípulo, toma a tua cruz…”

Quem dera que durante a Quaresma ouvíssemos a voz do Senhor, que nos convida a sermos fiéis a seus mandamentos, tidos não como obstáculo, mas como sinais indicando o caminho, como luz para facilitar o percurso de nossa peregrinação na fé e na esperança.

Amar a Deus verdadeiramente é ouvir solicitamente a sua voz,a sua palavra, conhecer e viver segundo Sua vontade. Com efeito, “Se alguém me ama, guardará a minha palavra… Quem não me ama, não guarda as minhas palavras” (Jo 14, 23-24).

 

"Cada novo dia é preciso escolher o caminho a ser percorrido. O melhor é aquele que nos leva diretamente ao coração de Deus". 

Cada novo dia é preciso escolher o caminho a ser percorrido. O melhor é aquele que nos leva diretamente ao coração de Deus, o melhor lugar para aprendermos a ser fiéis à sua Vontade, para renovar a nossa decisão de fidelidade incondicional ao Deus que nos enche de sua vida e de seu amor.

Os exercícios quaresmais nos ajudem a fazer escolhas acertadas nas coisas pequenas e grandes da vida. Tenhamos a ousadia de renunciar a tudo o que nos impede de viver os desígnios de Deus em nossa vida e nos caminhos de nossa missão.

O valor do nosso amanhã depende da qualidade do nosso hoje. Melhorar a qualidade de nosso amor a Deus e ao próximo seja o maior desafio desta Quaresma.

Não é fácil ser fiel aos compromissos cristãos na vida cotidiana, deixar espaço ao silêncio interior e à oração. Grande é a tentação de colocar de lado o que a liturgia quaresmal propõe para uma preparação eficaz para a Páscoa do Senhor.

Cada ano, o Senhor convida-nos a nos prepararmos para as festas pascais com o coração purificado, entregues à oração mais assídua e à prática da caridade fraterna, intensificando a vivência dos sacramentos, libertando-nos do egoísmo e de outras paixões desordenadas.

O jejum e a abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, são convites a imitarmos a misericórdia divina e a partilharmos nosso pão com os mais necessitados. Pela penitência ainda, o Senhor quer corrigir nossas más inclinações, elevar nossos sentimentos, frutificar nosso espírito fraterno e garantir-nos a recompensa eterna.

Enfim, a liturgia quaresmal recomenda que nos aproximemos do sacramento da reconciliação, pois, através deste sacramento, pelo poder do Espírito Santo, o Senhor estabeleceu para a Igreja, santa e pecadora, uma segunda tábua de salvação depois do batismo. Converter-se e crer no Evangelho leva-nos a viver como filhas e filhos da luz. 

Por Dom Nelson Westrupp, scj
Bispo Diocesano de Santo André

Fonte: http://www.a12.com/formacao/detalhes/atingidos-pela-experiencia-redentora-de-cristo

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Uma das práticas que a Igreja nos incentiva a realizar na Quaresma é a oração e a reflexão.

Depois da Quarta-feira de Cinzas seguimos por quarenta dias onde vamos ao encontro com o Senhor.

Neste período de 40 dias, a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto. Para dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG) a quaresma, desde o início do cristianismo, é um tempo especial de orientação à todos os católicos para preparar a Páscoa numa vida sóbria, com orações mais intensas e com gestos de penitência e caridade. “Mais do que simples preparação para a Páscoa, a Quaresma é tempo de grande convocação para que toda a Igreja se deixe purificar do velho fermento para ser uma massa nova, levedada pela verdade”, disse Dom Eurico.

 

"A Quaresma coloca a Igreja bem solidária à paixão de Cristo e solidária também à paixão da humanidade".

Dom Eurico disse ainda que é um tempo favorável de nos convertermos ao projeto de Deus, ouvindo e acolhendo sua Palavra sempre viva e eficaz, que nos faz retomar a opção fundamental de nossa fé feita no Batismo. “A Quaresma nos chama à reconciliação, à mudança de vida, a assumir a busca da humanidade inteira por libertação, justiça, dignidade, reconciliação e paz”, afirmou. Ele lembra ainda que a Quaresma coloca a Igreja bem solidária à paixão de Cristo e solidária também à paixão da humanidade, que sofre sem rumo, uns oprimindo, outros sendo oprimidos.“Assim como carregamos as culpas uns dos outros, carregamos também o sofrimento nosso e alheio, pois somos um só corpo e, como no corpo humano, o que afeta um membro, afeta todo o corpo”.

Dom Eurico termina suas palavras dizendo que a Quaresma tem o sentido maior de fazer-nos redimir as nossas faltas e também as faltas de toda a humanidade.É o sentido da solidariedade e, através dela, a preparação dos caminhos de um mundo melhor, mais fraterno, em direção à Ressurreição.

Fonte: http://www.a12.com/formacao/detalhes/o-sentido-da-quaresma-convite-a-oracao-e-reflexao 

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