Na primeira viagem oficial, o Papa Francisco desembarcou no Brasil no dia 22 de julho de 2013, um segunda-feira, e ficou até o domingo (28) para a extensa programação da 28aJornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro.

Desde a sua chegada até o embarque para a Itália, Papa Francisco surpreendeu. Seja pelo carro simples, pelo vidro aberto, ou pelas mensagens nos discursos e gestos de carinho com as pessoas nas ruas, principalmente com as crianças.

Assim que desembarcou na Base Aérea do Rio de Janeiro, Sua Santidade foi recebida pela presidente Dilma Rousseff e pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta. Na comitiva, que veio do Vaticano, estava dom João Braz de Aviz, Arcebispo Emérito de Brasília. Ele acompanhou o Papa em todos os eventos oficiais. Logo no primeiro dia, o Papa percorreu as ruas do Rio de Janeiro e causou uma comoção enorme ao fazer questão de cumprimentar todos que o saudavam.

No fim do dia, fez seu primeiro discurso. E com frases marcantes, pediu licença para entrar no coração de cada brasileiro. Entre as declarações, destacam-se:

“Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo!”;“Cristo ‘bota fé’ nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: ‘Ide, fazei discípulos’. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos”; e"Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pela porta de seu imenso coração. Permitam-se que nessa hora eu possa bater delicadamente a essa porta".

Com estas lindas palavras, o Papa Francisco iniciou uma semana inesquecível e comovente tanto para os que participaram “in loco” como para os milhares de brasileiros que acompanhavam tudo pela TV.

Na terça-feira (23), o Papa ficou na residência de Sumaré, onde descansou. Enquanto isso, dom Orani Tempesta fazia a abertura oficial da JMJ 2013, na praia de Copacabana, com a presença estimada de 400 mil pessoas. A celebração começou após a chegada da Cruz Peregrina e do Ícone de Nossa Senhora, símbolos da jornada que peregrinou por todo o país, durante os últimos dois anos. "Vivemos este tempo forte de peregrinação. Jesus Cristo é sempre atual, sobretudo para os jovens que buscam a verdade, a justiça e a paz", disse o arcebispo do RJ.

No dia seguinte, 24, o Papa Francisco saiu do Rio de Janeiro e foi à Aparecida (SP), onde celebrou sua primeira missa no Brasil. Na homilia, disse que os cristãos devem observar três posturas: manter a esperança, deixar-se ser surpreendido por Deus e viver na alegria.

“Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos”, lembrou o pontífice.

Ao final da missa, dom Raymundo Damasceno, presenteou o Papa com uma réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Papa Francisco rezou a consagração à Nossa Senhora e saiu em procissão até a saída da basílica, onde cumprimentou alguns dos 150 mil fiéis presentes e prometeu voltar em 2017, quando completa-se 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora. Em seguida, voltou à capital carioca. Lá, inaugurou uma ala do Hospital São Francisco, destinada ao tratamento de dependentes químicos. No discurso, falou como é preciso agir.

"É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz no uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança para o futuro".

Vários ex-dependentes químicos deram seus testemunhos e receberam uma benção especial do pontífice.

No quarto dia de visita, o Papa Francisco abençoou as bandeiras olímpicas, já que tanto as Olimpíadas como as Paraolimpíadas serão realizadas na cidade, em 2016. Um dos pontos altos do dia, veio logo em seguida: a visita à comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio. Várias pessoas foram tocadas, abraçadas e abençoadas.  Durante a visita, ele também entrou na casa de alguns moradores, um momento único e muita emoção. Mais uma vez, o Papa tocou todos com suas lindas palavras:

“A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo”.

À tarde, encontrou-se com jovens argentinos e no fim do dia, chegou a Copacabana, percorreu um trecho da orla de papamóvel, quando voltou a cumprimentar muitos fiéis, em especial as crianças, e chegou ao palco principal, onde abriu oficialmente a Jornada Mundial da Juventude.

 

“Nesta semana, o Rio se torna o centro da Igreja, o seu coração vivo e jovem, pois vocês responderam com generosidade e coragem ao convite que Jesus lhes fez de permanecerem com Ele, de serem seus amigos”, discursou.

 

 

Na sexta-feira, deu início a sua agenda atendendo a confissão de cinco jovens, cada um representando um continente. As confissões foram realizadas no Parque da Quinta da Boa Vista, onde também foi realizada a Feira Vocacional da JMJ. Depois, recebeu jovens detentos na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro, rezou o Angelus e mandou uma mensagem especial em comemoração ao Dia dos Avós, data comemorada em várias partes do mundo.

“Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família”.

À noite, seguiu para a Praia de Copacabana, para acompanhar a Via Sacra, que foi encenada por cerca de 300 pessoas. Cada uma das 14 estações era composta por uma reflexão ligada à juventude, como por exemplo, “jovem convertido, “jovem das redes sociais”, “jovem missionário”, etc. Depois dos atos, o Papa discursou e mais uma vez, com sábias palavras, conseguiu transmitir uma mensagem atual e jovem para cerca de 1,5 milhão de pessoas. Entre vários trechos importantes, está esse sobre a Cruz de Cristo:  

“(...) O que foi que a Cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós (...)”.

O penúltimo dia do Papa no Brasil iniciou-se com uma missa celebrada na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro.  A celebração reuniu sacerdotes, seminaristas e religiosos que atuaram na JMJ, na qual falou sobre vocação. E, durante o encontro, mandou o recado:

“Jesus fez assim com os seus discípulos: não os manteve colados a si, como uma galinha com os seus pintinhos; Ele os enviou! Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades quando há tanta gente esperando o Evangelho”!

Depois, o Papa foi recebido por centenas de pessoas, entre representantes da sociedade civil, líderes políticos e intelectuais, no Teatro Municipal. Lá, fez um discurso que se centrou na necessidade de diálogo para se alcançar o crescimento da sociedade.

No início da noite de sábado, ele  foi à abertura da Vigília na Praia de Copacabana. Os jovens prepararam apresentações, testemunhos de fé e a cada ato, construíam uma parte de uma igreja na área central do palco, representando a Porciúncula – uma igreja restaurada por São Francisco de Assis, na Itália, considerada um dos lugares mais sagrados para a ordem franciscana.

Em seu discurso, o Papa fez mais um chamamento aos jovens, pedindo que todos ouvissem o que o Senhor tem para falar e enfatizou que todos fazem parte da Igreja, que são construtores da Igreja e protagonistas da História:

“(...) Vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu 'sim' a Deus: 'Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra' (Lc1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra”.

No domingo, último dia da jornada, o Papa voltou à Copacabana para celebrar a Missa de Envio – evento de encerramento . Mais de 3 milhões de pessoas assistiram à missa, algo inédito no país. Com atenção, o Papa ouviu os agradecimentos de Dom Orani Tempesta e do Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Dom Stanislaw Rilko, que enfatizaram a disposição e carinho do Papa por ter assumido o compromisso que antes era de Bento XVI. Em seu penúltimo discurso, deixou uma mensagem aos jovens do mundo inteiro:

“Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho!”.

Ao final do discurso, ele anunciou a próxima sede da JMJ, em 2016. Será na Cracóvia, na Polônia. O anúncio deixou os jovens muito felizes, por ter sido a cidade onde o beato João Paulo II havia sido arcebispo. Até lá, João Paulo II já terá sido santificado,  motivo pelo qual a próxima jornada também promete ser um sucesso.

Antes de embarcar para o Vaticano, o Papa Francisco ainda se reuniu com o Comitê de Coordenação do Celam (Conselho Episcopal Latino Americano) e com parte dos jovens que foram voluntários na JMJ2013. Nesse evento, no Riocentro, ele agradeceu a dedicação e empenho de todos.

“Com os sorrisos de cada um de vocês, com a gentileza, com a disponibilidade ao serviço, vocês provaram que há maior alegria em dar do que em receber”, concluiu.

Em seguida, foi para a Base Aérea do RJ, onde se despediu de todos e partiu:

“Agradeço, enfim, a todas as pessoas que, de um modo ou de outro, souberam acudir as necessidades de acolhida e gestão de uma multidão imensa de jovens, sem esquecer de tantas pessoas que, no silêncio e na simplicidade, rezaram para que esta Jornada Mundial da Juventude fosse uma verdadeira experiência de crescimento na fé. Que Deus recompense a todos, como só Ele sabe fazer!”.

Sem dúvida, esse foi um dos momentos mais marcantes da história e, para os católicos, uma esperança de que a Igreja pode ser renovada com a força da juventude, atuando em diversas frentes e pastorais. Até a Cracóvia, em 2016!

Fonte: Arquidiocese de Brasília

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Estamos a um ano da Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro (JMJ-Rio 2013). Impossível não recordar os momentos marcantes da preparação daquela Jornada e a beleza daquele Encontro.

dom_odilo_scherer A peregrinação do ícone de Nossa Senhora e da cruz, sinais da Jornada, durante mais de um ano, congregou um grande número de jovens por onde esses passaram, em todo o Brasil. Ajudaram a atrair os jovens pela própria força irradiadora daqueles sinais: a cruz de Cristo, recordando o mistério da nossa redenção e o amor infinito de Deus por nós; e o ícone, recordando a presença materna de Nossa Senhora com os discípulos e irmãos de Jesus, onde quer que eles se encontrem.

A semana missionária trouxe a percepção do rosto jovem da Igreja e do potencial missionário dos jovens; muitos jovens peregrinos vieram de outros países e se uniram aos de nossas comunidades para a partilha da fé e das experiências da missão e da vida cristã. Houve uma movimentação bonita, espalhando alegria e esperança juvenil por todo o Brasil.

E a Jornada propriamente dita, no Rio de Janeiro, quanta beleza e surpresa! A Cidade Maravilhosa ficou ainda mais bonita com tantos jovens circulando por toda parte com seus distintivos e camisetas coloridas! Será que o Rio de Janeiro viu em outra ocasião bandeiras de tantos países diversos agitadas pelas suas ruas e praças?! Quem esperava o caos, acabou sendo contagiado pelas manifestações festivas e ordeiras de jovens vindos de um grande número de países!

O papa Francisco trouxe vigor e profundidade à JMJ-Rio 2013. Com seus gestos marcantes e sua comunicação fácil chamou jovens e menos jovens para o foco da JMJ: devia ser uma peregrinação ao encontro de Cristo e dos irmãos. Ele próprio se fez peregrino e missionário de Jesus Cristo para ir ao encontro dos jovens.

A multidão de jovens na orla de Copacabana só foi aumentando a cada dia da Jornada; a impossibilidade, por causa das intempéries, de realizar o encontro final no Campo da Fé, fora da cidade, ajudou a dar ainda mais consistência e beleza ao encontro, nos últimos dias. Os jovens participantes foram capazes de enormes sacrifícios para estarem presentes na vigília e na missa de envio. 

"O jovem está voltado para o futuro e não deve viver como se todo o sentido da vida se esgotasse nas realizações do aqui e agora."

Ainda lembramos as palavras de encorajamento do papa Francisco aos jovens na vigília do sábado à noite? Ficaram gravados seus apelos referentes à esperança, feitos à imensa multidão à beira do mar, atenta e concentrada: “jovens, não percam a esperança!” O jovem está voltado para o futuro e não deve viver como se todo o sentido da vida se esgotasse nas realizações do aqui e agora. A esperança grande, com o olhar voltado para Cristo, é capaz de oferecer um sentido alto para suas vidas.

Mas a tentação é grande e muitas coisas conspiram para tirar a esperança dos jovens, incitando-os a consumir futilidades e ilusões para preencher o vazio existencial. Por isso, o papa Francisco apelou aos jovens: ”não deixem que lhes roubem a esperança!” O jovem também precisa ser vigilante para não apostar no vazio nem edificar sua casa sobre bases inconsistentes...

O terceiro apelo de Francisco foi lançado a todos os adultos e àqueles que têm responsabilidades na comunidade humana: “não roubem a esperança aos jovens!” Roubar a esperança aos jovens é negar-lhes a possibilidade de realização de seus justos anseios. Descuidar dos jovens é comprometer o futuro da sociedade. E da Igreja também. É tarefa de todos os adultos oferecer aos jovens motivos sólidos para esperar e edificar a própria vida. O próprio papa fez isso de maneira extraordinária durante a JMJ.

Os jovens terminaram o encontro com a alma leve e cheios de esperança! Os participantes da JMJ-Rio 2013 foram muitos e, mais numerosos ainda, aqueles que não foram ao Rio, mas se envolveram na preparação e na realização da JMJ. Foi muito bom e proveitoso para quem se envolveu! Foi uma semeadura que dará frutos com o passar do tempo.

No entanto, um cálculo sereno e objetivo nos leva a uma constatação preocupante: o percentual dos jovens que sintonizaram realmente com a Jornada foi bastante restrito. E os outros jovens, aqueles que permaneceram distantes ou nem tomaram conhecimento da JMJ? Para estes, fica voltada nossa tarefa, que segue após a Jornada, na pastoral ordinária.

Temos muito a fazer para ir ao encontro dos jovens e para envolvê-los na ação evangelizadora da Igreja! Enquanto isso, já foi iniciada a preparação da próxima Jornada, que acontecerá em Cracóvia, Polônia, em 2016.

Cardeal Odilo Pedro Scherer 
Arcebispo de São Paulo

Fonte: CNBB.org.br

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