Quaresma é o Tempo de Deus em nossa frágil humanidade. É Tempo sacramental, pois na Quaresma podemos ver, com os olhos da fé, a imensidão do amor de Deus por nós. É infeliz quem não acredita no amor, pois correrá o tempo todo para buscar alguma coisa, e até mesmo sem saber o que está buscando, para encontrar-se com o amor, e poder dizer: Fugi do amor e acabei por encontrá-lo! Somente o amor pode realizar plenamente o ser humano, seja ele europeu ou asiático, do norte ou do sul, do oriente ou do ocidente. O amor verdadeiro não tem limites. O Tempo sacramental, a Quaresma, desperta-nos para essa lógica do Reino. A lógica humana é muito frágil e precisa de muitos argumentos para se sustentar. A lógica do Reino é precisa: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar sua própria vida, perdê-la-á; mas quem perder sua vida por minha causa, salva-la-á" (Lc 9,23-24). É convite transparente, não se impõe: "Se alguém quiser...".

Diante de Jesus e de sua cruz se esvai toda lógica humana, pois o Reino não está na força e na dominação, mas no deixar-se envolver pela Palavra e pelo modo de ser e de viver de Jesus de Nazaré. Ele viveu para os outros.

A Quaresma, Tempo sacramental, nos dá o pleno sentido da vida, quando tomamos consciência de nós mesmos e de nossa responsabilidade no mundo. Voltar-se unicamente para si mesmo é cavar um abismo sob os próprios pés. Parece-me que há um clima em nossa sociedade que deseja desfazer-se de tudo o que é sagrado, verdadeiro, para consagrar o homem, suas atitudes, sua sabedoria. O que é finito não pode tornar-se absoluto. Este é o ilógico do homem moderno: querer tornar-se senhor de si mesmo, absoluto, negando toda dependência que temos, dos outros e de Deus. A ciência passa, nossa história termina, nossas ilusões nos decepcionam. O que permanece é somente o amor, nada mais do que o amor, porque realiza-nos, fortalece-nos, faz-nos ser gente de verdade (1Cor 13).

O Tempo sacramental da Quaresma faz-nos voltar, sim, para o mais profundo de nosso ser, pois como o barro nas mãos do oleiro é amoldado e ganha formas esplêndidas e encantadoras, também nós, nas mãos do Senhor, tornamo-nos artífices da paz e de seu Reino.

Deus levou-nos muito a sério, convocando-nos em Cristo, na força do seu evangelho. Por isso, devemos sim ter grande estima para com nós mesmos, e aplicar toda nossa força, contando com a graça de Deus, para sair de nossa miséria. O homem e a mulher precisam fazer a história acontecer, mas contando com Deus, com seu amor, com sua presença. Que a frieza do egoísmo não venha atingir e sobrepor-se à força do amor, que nos transforma e nos realiza verdadeiramente como pessoa humana. E nosso modelo de ser humano chama-se Jesus!​

Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

Fonte: http://www.a12.com

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Cultura do encontro

Nosso querido Papa Francisco já divulgou a mensagem aos comunicadores, por ocasião do 48ª edição do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será em 1º de Junho de 2014. O tema da reflexão é "Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro". Leia a íntegra da mensagem no site do Vaticano.

O papa destaca que as novas tecnologias fazem com que as distancias se tornem cada vez menores, e que por isso, estamos cada vez mais próximos. Porém, “dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. Os níveis globais vêem a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres”, adverte.

O conselho de Francisco é de que sejamos capazes de usar os mass media para a construção de um renovado sentido de unidade da família humana, que nos faça mais solidários. “Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos”.

É o que ele chama de Cultura do Encontro. Como discípulos de Jesus, a exemplo, do bom samaritano devemo-nos fazer próximos, e assim sermos bons comunicadores. “Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos amar e ser amados. Precisamos de ternura”.

Atentos às palavras do Papa Francisco possamos fazer, a diferença no mundo digital, promovendo a cultura do encontro, do cuidado e do amor.

 

Pe. Abdon Dias Guimares, C.Ss.R.

Pároco

 

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